Antes de começar...
- Cuidado com o degrau, isso. Agora para. Muito bem, pronta? – fez que sim com a cabeça. – Então lá vai. No três você pode abrir os olhos. Um dois... Três!
E então abriu os olhos. Era uma casa enorme à sua frente, e uma sala de estar completamente mobiliada os recebia, com uma lareira extremamente convidativa.
- Mãe, pai, é... perfeita! Isso, eu, ah! – e se virou para abraçar os pais – é o melhor presente que eu já ganhei na minha vida!
- Mas ainda não acabou – disse o namorado, de frente pra ela. Tirou alguma coisa do bolso e se ajoelhou – – falou, fazendo uma pausa dramática ao observar o rosto surpreso da garota. – você aceita se casar comigo?
Ela ficou sem palavras, diante de um anel tão bonito, e de um cara que ainda se ajoelhava à sua frente, esperando uma resposta.
- Sim! É claro! Eu... Vocês eram cúmplices disso tudo não é? – se virou para olhar para os pais.
Depois de toda a cena, os quatro foram jantar, e depois foram explorar o resto da casa, todos muito felizes. Ela, quase explodindo, mal podia se conter, e tinha um enorme sorriso estampado no rosto.
E essa costumava ser a incrível e feliz vida de .
Costumava ser? Ela morreu?
Não. Ela não morreu. Ela é esta que vos fala. E agora vou contar como essa vida perfeita deixou de ser assim...
Capítulo 1
- Amor, cheguei! – eu disse, entrando em casa, chegando da aula de Ioga. Eu e Scott já tínhamos nos mudado para a casa que meus pais haviam me dado de presente há mais ou menos três semanas, e já estávamos perfeitamente instalados. A casa era perfeita: grande, bem arejada, bem decorada... o único problema era o jardim, que parecia uma selva. Meus pais não tiveram tempo de reformá-lo antes do meu aniversário, e a porta de vidro da sala de estar sempre o deixava à mostra, tendo sempre que ser tampada com uma cortina.
- Scott? – chamei mais uma vez, sem resposta, quando vi um bilhete pregado na geladeira:
“Vou trabalhar até mais tarde hoje. Desculpe, não vamos jantar juntos. Beijos, Scott.”
Amassei o papel e o joguei na lixeira, e subi as escadas. Tomei um banho quente, vesti um moletom velho, me joguei na cama e fui assistir TV. Lá pelas 9 horas o telefone tocou, era a minha mãe.
- Oi mamis!
- Oi filha! Tudo bem por aí?
- Tudo perfeito, se eu não contar com a floresta de mata virgem que sobrou lá atrás...
- Há-há. Pode ir parando com isso, eu já resolvi o seu problema.
- Jura?! Que ótimo!
- É, eu sei, eu sou o máximo...
- Aham, tá. Mas quando?
- Amanhã pela tarde o paisagista vai passar por aí, pra olhar o jardim, ver o que ele pode fazer e tudo mais.
- Ai que bom mãe! Muito obrigada. Mas como é o nome dele?
- . Mas filha, vê se trata ele bem, ele é o melhor.
- Aham, o que eu ia fazer? Dar veneno pra ele?
- Não sei, é só uma precaução...
- Tá bom mãe, também te amo. Tchau.
**
O sol entrava por uma fresta na cortina, e batia em meus olhos fazendo-me abri-los. Ao olhar para o lado, vi que Scott estava deitado ali, com uma respiração calma e profunda, me fazendo acreditar que estava dormindo e me perguntar a que horas ele havia chegado em casa. Resolvi me levantar, porque a essa altura o sono já tinha ido embora. Desci as escadas e preparei o café da manhã, deixando a mesa pronta e ligando a TV, e logo ouvindo passos na escada.
- Bom dia amor!
- Oi, bom dia. – respondi, recebendo um beijo como saudação. – Você vai trabalhar hoje?
- Não, não. Hoje eu sou todo seu – disse, me abraçando pela cintura e me beijando outra vez.
- Hm... Bem que eu queria ser toda sua também, mas a minha mãe chamou o paisagista pra vir hoje aqui...
- Ah, que pena! Mas vai ser bom dar um jeito nessa selva aí né?
- Verdade. – falei, dando um beijinho de esquimó e o encarando por um bom tempo, me perdendo naqueles olhos azuis... - Mas espera aí, senão as panquecas vão queimar!
**
Ouvi a campainha tocar, e já estava descendo a escada, quando encontrei com o Scott assaltando a geladeira.
- Ei, vem pra cá! O tal paisagista já chegou, vem abrir a porta comigo.
Quando eu abri a porta, me deparei com um cara que não se parecia em nada com alguém que eu tenha imaginado. Ok, eu não queria mesmo que ele se parecesse com um cara que tinha as calças sujas de terra, que usasse sandália de dedo e tivesse terra debaixo das unhas. Aloou, ele era um paisagista, não um sem-teto!
- A senhorita ?
- Sim, entre por favor. – falei, dando espaço para o homem entrar e fechando a porta em seguida, e o acompanhando até a sala de estar.
- Bom, eu sou o , muito prazer. – disse estendendo a mão e cumprimentando a Scott e a mim. – Será que vocês poderiam me levar pra ver o jardim?
- Claro, por aqui – eu falei, levando-o até a porta de vidro e a abrindo.
Ele parou antes de pisar fora da casa e ficou observando por uns instantes, talvez calculando alguma coisa. Ah, sei lá, não entendo nada disso mesmo!
- Bom, o espaço é grande, podemos fazer bastante coisa aí. Vocês têm alguma preferência?
- Eu quero uma fonte, no meio do jardim – disse Scott.
- Uma fonte?
- É, acho muito bonito...
- Eu preferiria um caramanchão no canto do fundo, ficaria bem mais bonito... Imagina só ele todo florido na primavera!
- Ok, você vai colocar uma fonte no jardim. – Eu olhei pra ele com uma cara incrédula, mas quando eu ia abrir a boca para protestar, Scott me lançou um olhar como se dissesse pra ficar quieta, o que eu não gostei nem um pouco.
- Vocês têm certeza? – perguntou, olhando pra nós dois, vendo que eu não reagia, mas que Scott balançava a cabeça positivamente. – Mais alguma preferência?
- Bom, isso vocês verão durante a obra. vai estar sempre aqui para orientar qualquer coisa.
- Certo. Que horário vocês preferem que nós estejamos aqui? Sabem, eu e a equipe. Mas eles só vão trabalhar durante os primeiros dias, sabe, só o trabalho pesado, colocar a grama, plantar alguma árvore, essas coisas.
- Ela fica em casa o dia inteiro, não se preocupe quanto a isso.
- Bom, então começamos na segunda-feira certo? Por hoje é só. – e nós o levamos de volta até a porta. – Até mais. – falou, acenando e entrando no carro, que nós acompanhamos com o olhar até chegar ao fim da rua e dobrar a esquina.
Fechei a porta e me virei para encará-lo.
- O que você pensa que está fazendo? Me dando ordens na frente dos outros! Scott, você sabe muito bem que eu não gosto disso e-
- Amor, olha, confia em mim, vai ser melhor assim. Eu vou deixar você escolher a decoração, com as flores e blá blá blá, ok?
- Tanto faz. – respondi, subindo as escadas e me fechando no escritório.
Trabalhei no laptop o resto da tarde, e nem percebi quando anoiteceu. E já era bem tarde. Quando abri a porta, não vi nenhum sinal do Scott. Fui até a cozinha, comi um sanduíche e subi. Tomei um banho rápido e fui pra cama, sem conseguir dormir.
- ? Tá dormindo? – Scott perguntou baixinho, ao meu lado. Eu queria fingir que sim, não responder nada e até roncar, se fosse preciso. Mas ele sabia quando eu não estava.
- Não. – respondi, seca. Não sentia remorso algum, o culpado era ele.
- Você... tá chateada?
- Talvez – falei, ainda sem me virar pra ele.
Ele ficou quieto, e eu achei que tinha finalmente dormido, até que o senti beijando o meu pescoço. Não reagi. Na verdade nem respirei, talvez ele se entediasse e fosse mesmo dormir. Mas aí ele pôs a mão na minha cintura, e beijou a minha orelha, mordendo o lóbulo. Ah não, na orelha não... Por que as pessoas não merecem uma segunda chance? Ah vamos, ele estava com uma carinha de cachorro-que-caiu-da-mudança tão linda! Então eu cedi. É, eu cedi aos encantos dele. Tá legal, sem exageros. Eu me virei de frente pra ele e, olhando-o nos olhos o beijei. Depois de um tempo, Scott cortou o beijo e me perguntou:
- Me desculpa?
- Hm... não sei, talvez... – respondi, fazendo uma cara pensativa e rindo logo em seguida.
Quando dei por mim estava por cima dele, com uma perna de cada lado de seu tronco. Digamos que... terminamos a noite bem.
Continua...
n/a: Saiu o capítulo 1!!
Espero que gostem :)
Beijones,
Lizzie
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